A visão dos nossos filhos

A Visão de Nossos Filhos

Uma das coisas mais difíceis de se definir são os filhos, estes pequenos seres que nos maravilham em todos os sentidos, e para ajudar cito uma das melhores definições que já encontrei, feita por José Saramago, escritor português, que escreveu que “Filho é um ser que nos foi emprestado para um curso intensivo de como amar alguém além de nós mesmos, de como mudar nossos piores defeitos para darmos os melhores exemplos e de aprendermos a ter coragem.” Assim, como pai, acredito que o maior exercício que fazemos é o de, ao passar por esta experiência, interferir com sabedoria em sua trajetória enquanto ao nosso lado.

O maior enigma, que talvez não consigamos desvendar em toda nossa vida, é como melhor criar nossos filhos, como não os deixar sofrer, como prevenir ameaças e danos futuros. O quanto de nossa preocupação interferirá positivamente ou negativamente em seu desenvolvimento somente o futuro dirá, e será diferente para cada indivíduo, independente de serem criados da mesma maneira, com as mesmas condições e ambiente, porque cada um de nossos filhos terá uma necessidade, uma expectativa e um futuro, muito provavelmente, diferente do que prevemos, e queremos.

No consultório recebo muitos filhos e filhas, que são trazidos para identificar problemas oculares, e com isso me deparo com muitas aflições, medos e expectativas de seus pais. Mas baseado em estudos americanos sabemos que uma em cada 4 crianças necessitam de óculos ou tratamento. Também baseado em um outro estudo sabemos que avaliações feitas nas escolas são capazes de identificar  apenas 1/3 daqueles que necessitam de alguma correção visual. E assim não é incomum ver pais com lágrimas nos olhos quando  prescrevo alguma correção. 

E aí esta o dilema da geração de nossos filhos, onde o que vivemos já não serve mais como parâmetro. Muitas das prescrições que eram desnecessárias há alguns anos hoje são obrigatórias. Ipads, IPhones, DSs, telas 3D exigem muito mais de seus olhos, mas não se preocupe, não causam problemas. O que ocorre é que estes equipamentos estimulam sua visão de uma tal maneira que a tornam ainda mais apurada, e pequenos problemas são notados mais facilmente.

Como disse, sou pai de duas meninas, a Vitória e a Isabela. Como oftalmologista sempre desejei que elas escapassem do determinismo genético do pai, que tem miopia, assim como a ascendência oriental da mãe, que também propicia uma maior incidência desta dificuldade em enxergar a distância. Um belo dia, quando a Vitória tinha apenas 6 anos, me disse que não estava enxergando bem de um olho, realizando um simples exame de fechar o olho com a mão. Alguns exames depois diagnostiquei um pequeno grau de astigmatismo, que embaralha a visão tanto longe como perto, e que em muitos pacientes adultos não costumam causar qualquer sintoma, ou seja, sua necessidade de visão era superior a destes pacientes! A Isabela também seguiu o mesmo caminho, e hoje ambas utilizam óculos para estudar, jogar no IPad ou assistir televisão.

Nossos filhos passarão por experiências que em gerações passadas seriam inimagináveis. A cada década ficamos mais saudáveis, mais altos, mais inteligentes, perspicazes e longevos. Devemos prepará-los, com amor, para enfrentar estas mudanças com a coragem necessária.

Dr. Marco Olyntho

Dr. Marco Olyntho

CREMESP 92737 / RQE 31927 | Médico Oftalmologista com Título pela Associação Médica Brasileira e Conselho Brasileiro de Oftalmologia | Membro da Academia Americana de Oftalmologia.

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